Linkedin e ansiedade
- Maiara Benedito
- 22 de mai.
- 2 min de leitura
Uma das coisas que não vejo quase ninguém falando online -ou talvez o algoritmo não trouxe até mim- é o quanto o Linkedin é uma plataforma que pode causar muita ansiedade e um tanto de outros sentimentos desconfortáveis.
Há algum tempo venho observando através dos relatos na clínica o quanto pensar ou precisar procurar uma oportunidade de trabalho vem acompanhado da angústia de ter que abrir a "rede social de trabalho”e lidar com ela de alguma forma. Você precisa não só ter um perfil, mas alimentá-lo e se nutrir de perfis alheios para ser notado. Esse texto inclusive foi a única coisa que consegui pensar para publicar no site e alimentar meu próprio perfil.
Essa vitrine onde você vê o que todo mundo tá fazendo e parece que você não faz nada. Os amigos, colegas e desconhecidos estão fazendo coisas grandiosas e notórias. Celebrando eventos, encontros com pessoas conhecidas, colocando seu trabalho em pontos diversos do mapa mundi,tirando muitas certificações e titulações renomadas. Até quem está procurando emprego faz isso de um jeito poético. Não se diz “fui demitido” ou "pedi demissão”, mas sim “estou aberto a oportunidades”. Há muitos escritos bonitos sobre jornadas, aprendizados, resiliência e superação.
Enquanto você está no seu dia a dia que até então parecia suficiente. Sem grandes acontecimentos. O acontecimento foi ter vencido mas mais uma semana em que tentou equilibrar o trabalho com alguma outra coisa necessária para se manter são. Para uma publicação no Linkedin isso não parece bom o bastante.
Todas as vezes que alguém me trouxe algo sobre essa rede social veio junto algum tipo de comparação depreciativa. As pessoas se sentem atrasadas, para trás, incapazes. Eu mesma não fico de fora disso.
Posso contar em apenas uma mão quantas situações no ano são tão grandiosas e publicáveis (afinal, o trabalho na clínica é tão especial para mim, mas íntimo e precioso para que ganhe espaço público). Quando tento selecionar algo que possa ser digno das poucas curtidas vindas dos meus poucos seguidores, não encontro muita coisa. Até o momento, 2026 só me rendeu um desses momentos e vendo as movimentações alheias, me parece pouquíssimo. É abaixo do médio. E a gente tem sido ensinado que ser médio é péssimo e que abaixo da média é deplorável.
Linkedin para a maioria das pessoas é uma rede de passagem e pontual. Precisa ser assim porque o potencial de ansiedade é enorme. Mesmo sabendo que tudo é estrategicamente pensado e tem muita edição surgem comparações e cobranças. A ideia é usar como ferramenta e não como distração. Ser low profile em quaisquer redes socias hoje em dia é um luxo que quase ninguém pode se dar. Contudo, pensar a forma como esses espaços serão lidos é fundamental para valorizarmos dias comuns e o trabalho que é feito ainda que não gere elogios. E também para naturalizar que entre alguns momentos que podem atrair atenção externa e serem “aplaudidos” há tantos outros mais simples, singelos e que são íntimos e silenciosos. Ainda assim, dignos de contemplação própria. Nem tudo precisa virar um post para ser valorizado.
Aqui eu deveria deixar uma pergunta final para causar engajamento, mas deixo só a abertura caso alguém queira comentar como se sente a respeito…

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